Máquina do tempo: Façam uma visita à Memoryland com Barbieri!

Hoje trazemos mais um episódio da nossa máquina do tempo, direto para os 70's (nosso lugar predileto afinal!), com algumas histórias de Antonio Celso Barbieri*, dessa vez, contando um pouco sobre o que acontecia nos shows das maiores bandas de rock n' roll brazuca da época!  Enjoy the trip! ☮



1) Local TUCA. Anos 70. Show dos Mutantes. No meio do show por de trás do palco o pessoal da produção começa atirar pratinhos de papelão na platéia que, aderem à brincadeira e começam atira-los de volta e, uns nos outros. As luzes stroboscópicas entram em ação e o efeito é fabuloso, parece uma invasão de discos voadores. Acabei roubando esta ideia e usando, anos depois, nos shows da banda Avenger, uma das primeiras bandas de Heavy Metal de São Paulo. Nesta banda fui o primeiro e único empresárioi tendo produzido muitos shows.

2) Local Teatro Aquários. Anos 70. É o aniversário da morte do Hendrix com vários artistas convidados. No palco quatro baterias montadas. Eu me lembro do baterista do Mona. O Tony Osanah está fazendo um solo emocionado. A coisa vai ficando cada vez mais intensa e lá no pico do momento, o cabo da guitarra que é curto despluga-se do amplificador. Tony Osanah perde o controle e joga sua guitarra longe ao mesmo tempo que se joga atrás dela esborrachando-se no chão. Ele fica lá caído e nós todos de boca aberta, sem saber o que dizer.... para mim foi muito triste e chocante ao mesmo tempo...


3) Local Teatro São Pedro. Anos 70. Acho que foi o show do Mona. O vocalista usa o microfone como um penis e faz gestos eróticos, e é preso ali mesmo. Era a época da ditadura militar e “os homens” estavam por todo lugar procurando uma desculpa para prender os artistas e o povo em geral. Recordo-me que antes deste show foi colocado na frente do palco, no chão, um gravador de rolo. O som do gravador ia direto para a mesa de som. Logo de cara, tocou dois sons que eu nunca tinha ouvido antes. O primeiro Roundabout executada pela banda Yes tirada do álbum Fragile e o segundo Schools Out executada por Alice Cooper e tirado do álbum homônimo. Bom, no outro dia fui no Museu do Disco e comprei os dois álbuns importados porque os mesmos ainda não tinham sido lançados no Brasil.

4) Local Ibirapuera. Anos 70. É tarde da noite e o concerto que é ao ar livre, dá uma parada no som, tipo intervalo para o público dar uma cochilada. A madrugada rola e quando dia começa aparecer, Manito e a banda Som Nosso de Cada Dia desperta todo mundo detonando O Guarani. Que jeito maravilhoso de começar o dia. Inesquecível!

5) Local Ibirapuera. Anos 70. Meu irmão tinha um gravador cassete Phillips estéreo. O bicho era apenas elétrico, não funcionava com pilhas. Levei uma extensão enorme e indo ao técnico de som, pedi para ele uma saída elétrica. O técnico com a maior gentileza do mundo me arrumou uma tomada. Ele era o Allan o técnico dos Mutantes. Não existe mais gente assim sem frescura. Todo mundo está preocupado com direito autoral, a pirataria e cheio de ego. Gravei umas cinco fitas que fiz a besteira de emprestar para o Magnólio. Ele nunca mais me devolveu....

6) Local Bom Retiro, O Show que Não Tem Preço, Pague-nos Com a Sua Presença. Ano 72. Esta foi a minha primeira produção. Apresentaram-se os grupos John, Duda (Neves), Palhinha e Marcão + a banda US Mail (com Percy nos vocais) + a banda Canabis. Deu o maior rolo porque não tinha censurado o show. A policia chegou e eu tive que me esconder no teto do palco perto dos holofotes. Gravei o show e emprestei a fita para o Duda Neves que nunca mais me devolveu... que pena!

*Antonio Celso Barbieri, além de participar de centenas de  shows e pequenos projetos na primeira metade dos anos 80, especialmente no estado de São Paulo, ajudou a Devil Discos a criar seu próprio selo produzindo seus dois primeiros álbuns. O primeiro foi uma coletânea de bandas gravadas ao vivo no Teatro Lira Paulistana chamada São Power e o segundo o primeiro álbum da banda Korzus chamado Korzus ao Vivo e baseado em gravações de shows feitos no Teatro Lira Palistana e Teatro Sesc Fábrica Pompéia. 

Mais tarde participou do partido comunista brasileiro, e no começo de 1987 embarcou para a Europa e acabou firmando raizes em Londres onde continuou a batalha pelo rock brasileiro ajudando bandas.

Virou Correspondente Internacional para a revista Dynamite de São Paulo, entrevistando de Metalica a Blur passando por Radiohead e muitos outros.
Cobriu shows importantes como o primeiro concerto em Londres do Foo Fighters e a volta do Sex Pistols além de ter presenciado o legendário James Brown ao vivo. Ainda foi previlegiado em poder ter assistido os shows do original Judas Priest, Iggy Pop e a inesquecível Tina Turner em Londres, assim como George Clinton e Jorge Benjor em Canes.
Esteve presente nos concertos memoráveis do nosso João Gordo e Ratos de Porão e do mundialmente famoso Sepultura. Hospedou incontáveis números de bandas brasileiras vindas de várias partes do nosso país. Um dos pontos altos da carreira, foi a produção em 1992 do histórico concerto da banda Korzus no legendário Marquee Club.



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